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30.6.11

GP de CocoCay de Power Wheels

Essa é uma corrida que disputei com meu amigo Jonhweyne em CocoCay no ano passado, e perdi as duas baterias. Mas é porque não me contaram que o carrinho tinha turbo e eu fui só na marcha lenta. Sacanagem!


Só pra relembrar os velhos tempos, enquanto eu não tenho novidades.

.

28.3.11

.sete dias vão e eu nem fui ver

Data: 24/03/11
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 17h11
Hora do Brasil: 18h11

Sete meses e chega de Majesty pra mim. Daqui dois dias mudo de casa, por mais 5 semanas. A história é longa e eu nem vou explicar. Mas é isso, Monarch of the Seas, minha nova casa.

Talvez eu devesse estar feliz por estar indo embora. E na verdade estou, mas... sempre tem aquela coisa que te prende, que te faz sentir arrependido ou incapacitado de resolver. Sempre tem a história da saudade no meio. Deixa eu tentar ligar os pontos e achar uma linha de raciocínio. Calma. Meus amigos que nunca davam as caras, resolveram aparecer e dizer que estão com saudade. Me parte o coração isso. As pessoas das antigas aqui do MJ ficam tristes quando falo que não volto pra cá, querem que eu fique. Eu até ficaria, eu acho que adoro esse navio e vou sentir muita, muita falta de tudo e de todos. Mas é hora de mudar. MN por 5 semanas. AD por dois meses. NV por dois meses. Hora de dar a volta ao mundo, é pra isso que estou nessa vida.

O lado bom, se é que tem um, é que a minha ex-querida namorada está no MN. Aquela que é muito minha amiga. Mesmo! Ela esteve aqui no navio ontem, fomos no Johnny Rockets e assistimos The Office. Parceiraça! É incrível como a gente se dá muito melhor como amigos do que como amantes. Então, pelo menos, já tenho companhia pra gastar minhas 5 semanas no Monarch. E a gente faz sign-off no mesmo dia. Savvy?!

Como é triste a partida. Não consigo parar de pensar nisso. Deixar esse navio depois de 1 ano e meio dedicado a ele é doloroso. Agora que ta tudo do meu jeitinho, do jeito que eu queria, arrumadinho... e eu vou embora e deixo nas mãos de outra pessoa pra que o trabalho continue. And just for the record, eu nunca vou esquecer o que esse navio fez por mim e o que eu fiz por ele. Meu nome ta registrado na sua história e o seu nome na minha memória. Tenho muitos navios e desafios novos pela frente, verei muita coisa boa e ruim ao redor desse mundo, mas serei sempre grato ao Majesty of the Seas pelas oportunidades que me deu, pelo amor, confiança e credibilidade de sempre. AHOY!

Se o contrato foi longo ou curto, bom ou ruim, não sei. Foi tudo ao mesmo tempo. Por momentos eu quis ficar aqui pra sempre, e tive horas que queria ir embora no mesmo minuto. Isso acontece na vida de marinheiro, mas a gente a prende a segurar até o dia da partida. Se foi bom, no geral, sim. Conturbado no começo, essa coisa de virar chefe, ter trabalhado sozinho por 2 meses, e até que a Frances aprendesse tudo certinho... levou um tempo. Hoje ta tudo perfeito. Morro de orgulho de ver ela fazendo as coisas que eu ensinei, ou as coisas que ela aprendeu de mim indiretamente. Fico feliz. E fico feliz também quando quebra uma porcaria qualquer (tipo quase todo dia) e eu não sei arrumar. Mas quando eu disse meses atrás, se eu não puder arrumar, nesse navio ninguém mais pode. Então eu vou lá e tenho que achar a solução, e eu sempre acho. São pequenos e grandes desafios que te fazem querer ficar e se dar conta que isso aqui ainda vale a pena, que eu ainda tenho o que aprender e crescer. O dia que eu concluir que não tenho mais nada pra aprender, adios! E é por isso que eu to de mudança, pra ver um mundo novo de coisas e aprender mais, porque o MJ eu já conheço até de olho fechado andando de costas, sei pra que serve every single button in the broadcast room. Esse é meu navio. ;)

To enchendo de ladainha, mas é porque eu to nostálgico. Vo imbóra.

Tiau!

9.3.11

.6, papudo!

Data: 18/02/11
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 00h45
Hora do Brasil: 03h45

E o meu cowntdown foi por água abaixo. Deveria faltar 3 semanas, a partir de agora, pra ir embora. Me faltam 3 meses. Pois é. Dar pra receber. Se eu peço alguma coisa, tenho que ceder também. A novela se complica. Já me deram mil navios diferentes, e os planos mudam toda hora. Mas parece que agora tá tudo resolvido. Eu devo ficar extras 5 semanas no Monarch of the Seas antes de sair de férias. Melhor do que os 7 meses que me dariam depois delas. Pra me livrar disso tive que me submeter a protelar a ida pra casa. Tudo bem. =)

O lado bom e talvez o ruim é que adivinhem quem ta lá? Sim, aquela pessoa louca da minha vida, que eu tenho visto a cada 2 semanas quando nossos navios se cruzam (e tem sido muito bom). E agora nossas vidas se re-cruzam no mesmo barco. A ironia maior do destino é que vamos embora no mesmo dia. E é muito unfair que quando eu cheguei aqui ela ainda estava aqui. Foi embora, saiu de férias, chegou no barco novo e vamos embora no mesmo dia. Muito injusto. Mas enfim, eu tive a minha opção e, mais uma vez, ela fez diferença na minha escolha. Vamos ver que merda vai dar. “The world spins”.

Depois que esse contrato torturante acabar eu devo ir pra um dos maiores navios da companhia, fazendo a rota hispano-italiana, partindo de Málaga/ESP, uma das cidades que eu mais adoro no mundo, e indo em direção à Roma/ITA, uma das cidades que eu mais adoro no mundo. Não posso reclamar. O roteiro não vai me apresentar nada novo, mas rever lugares lindos, respirar ares europeus e navegar por águas do Mediterrâneo me animam bastante. No lugar de um permanent HBT vou virar uma espécie de traveller HBT, que me gusta mucho més (“més” pelo sotaque catalão).

Terei 3 meses de férias e me parece que não vai sobrar outra alternativa senão trabalhar, porque ficar 3 meses sem fazer porra nenhuma vai me deixar muito louco, depois dos quase 9 meses à bordo. Que parto!

Já to muito enjoado desse barco. Se tivesse que ficar até o final aqui acho que eu não aceitaria, mas essa transferenciazinha vai me ajudar a suportar, vou ver coisas novas (por mais que eu odeie o Monarch of the Shits), experiências novas, sentimentos novos... com equipamentos velhos que existem por lá! Argh! Como diz a louca: “Monarch is a shit version of the Majesty”. Pra quem não sabe, os navios são gêmeos, ou twin-ships.

Tenho gastado muito dinheiro na Amazon.com. Só nos últimos 30 dias foram $1000. Porra, não é pouca coisa. Tenho que me segurar. Mas dá raiva e pena de ver coisas super-legaus tão baratas. Eu compro por pena de ver um produto maneiro a preço de banana. Por exemplo, hoje encomendei duas Lomos... eu disse DUAS câmeras lomográficas diferentes por $30 cada uma. Uma octa e uma quadri-cam. Não dá pra resistir.

O momento sad desse post fica por conta de eu me sentir decepcionado com todos meus amigos no Brasil. Nenhum puto me escreve um e-mail pra saber como eu to, nenhum filhodaputa fala comigo decentemente no MSN (tão sempre “na correria” – vãotomarnosseuscus! Venham trabalhar num navio pra ver o que é correria), nenhum paunocu se importa se eu to bem, mal, vivo ou morto. Eu tento, eu bem que tento manter contato... mas as pessoas não têm feito por merecer e eu ando bem desanimado com isso e vou desistir de tentar. Tudo bem que minha ausência já virou rotina na vida de todos. Nos primeiros contratos todo mundo se importava, não via a hora de que eu voltasse. Me mandavam vídeos e fotos das festas que eu perdi e que fiz falta, faziam dedicatórias especiais nos eventos pra mim, compunham músicas, assopravam garrafas pra imitar “a buzina do navio” em minha homenagem e me deixavam morrendo de saudade e remorso por tê-los abandonado. Mas, agora, who cares? Acho que esse é mais um dos motivos que me fizeram querer estender esse contrato por todo esse tempo. Se não faz diferença pra ninguém, pra mim tampouco. É por essas e outras que eu já to achando que vou ficar nessa vida pra sempre.

Resta pouco do Farion nesse Marcos Aguiar que aqui vos fala. =)

Por incrível que pareça, o único que parece se importar comigo é meu irmão Lucas, de 13 anos, aquele que me fez chorar há exatos 2 anos atrás quando eu saí de casa pela primeira vez. É, são exatos 2 anos que me tornei marinheiro. Coisa bagarai!

Adeus.

26.2.11

.dos dias que valem a pena existir

Data: 26/02/11
Hora Local (Nassau – Bahamas): 21h45
Hora do Brasil: 23h45

Postando direto do blogger porque as coisas estão frescas na memória. Um desencontro enorme no começo, mas depois tudo acabou em... um pequeno barco à velas nas águas cristalinas bahamenhas, champagne à vontade, seus melhores amigos à bordo, sua amável ex-namorada lhe proporcionando as melhores conversas novamente, te enchendo de orgulho por ter crescido tanto em tão pouco tempo (apesar de também estar enchendo a cara de champagne), as melhores fotos com aS câmeraS novaS (google na GoPro Hero e na Lomo Quad), pôr-do-sol lindo, que acabou ficando em segundo plano no fim das contas. Abraços gostosos nas dançarinas gos.. I mean, lindas do Monarch ("you're a good hugger!"), e making friends com a galera do nosso twin-ship, o Monarch, minha próxima casa daqui há 4 semanas. Um emaranhado de pequenas coisas que fazem teu dia ser foda e ficar registrado na caixa-preta.

- I trust you. You should trust me.
- I trust you. But I don't trust me.

.

13.2.11

.das coisas que ficam

[23:29] M: i hate you.
[23:29] C: haha why?
[23:29] M: i have your perfume all over me
[23:30] C: haha i have yours too
[23:33] M: and your make up on my t-shirt...
[23:33] M: i hate you even more.

12.2.11

.dos melhores diálogos

[16:35] C: ahhhh k well im gonna have a nap.... wanna meet at my gangway at like 8?
[16:35] M: sounds good
[16:35] M: who are you going with? your cast?
[16:36] C: wowzers
[16:36] M: wowhat?
[16:36] C: im excited wowzers!!
[16:36] C: duh!
[16:36] M: hahahaha ok
[16:37] M: yes, me too
[16:37] M: i meet you there @ 8pm
[16:37] M: so take your nap
[16:38] M: take your shower
[16:38] M: and look pretty
[16:38] C: hahah nahhh im gonna come in my pyjamas with no make up on! haha
[16:38] C: ciao
[16:38] M: that's how i love you most. do it!
[16:38] M: see you soon

24.1.11

.cinco mil anos depois

Data: 23/01/11
Hora Local (Nassau – Bahamas): 21h43
Hora do Brasil: 00h43

Nem tanto tempo. Um mês, como o normal. Mas tá demorando tannnnto! Janeiro tá foda. Completo só 5 meses nessa birosca. Já me sinto há meses dentro desse mês. Eu que já tava no countdown pra ir embora, tive que protelar mais um pouco. Agora me faltam mais 2 meses. Aqueles 2 meses que passam voando no começo vão passar se arrastando até o final.

Falar que não tem novidade é mentira. Sempre tem milhares, mas na hora de escrever ou eu não me lembro, ou já deixou de ser novidade neste momento, ou não me interessa contar. Meio que falta motivo pra escrever agora, mas to só respeitando a mensalidade dos posts.

Esse cruzeiro é o mais chato da minha vida. Charter de pessoas chatas, sendo enganadas e pagando fortunas pra fazer parte desse tal GIN. Seus discursos são idênticos aos de uma igreja, com a diferença de não falarem de Deus. Na verdade, seu deus é o dinheiro – prometem que todos seus membros serão milionários. Brain-washing. O pior de tudo é que eles vão voltar daqui 4 dias pra falar a mesma ladainha. A parte boa é que esses 4 dias serão tomados por outro charter nomeado “70.000 Tons of Metal” – 40 bandas do mundo inteiro, heavy metal 24h por dia. Mas não é disso que eu gosto exatamente, eu gosto da parte do navio estar indo pro México. Ahá! Um país novo pra lista. A única banda que me interessa em ver é Sonata Arctica, a única de todas que eu conheço.

De resto, nada muito excited. Só pessoas que vão embora da sua vida na mesma velocidade em que chegaram, vapt-vupt. Pessoas que somem da sua vida gradualmente, sem nenhuma satisfação e, pior de tudo, te deixam falando sozinho – me chame de viado, mas não me ignore porque a ofensa é maior. Tem também pessoas que ressurgem na sua vida – “the world spins, we’re going to end up together”. Essas coisas já não deviam machucar mais, mas por mais que a gente pratique (traduzindo: “que esteja sempre se fodendo pelo mesmo motivo”) a gente sempre dói igual. Eu tenho quase todos os motivos pra ser feliz aqui, só me falta um, é a bendita falta que eu já falei em outros posts. Sempre falta uma coisa. E a hora que tu consegue uma, perde outra.

Tenho medo desses 2 meses que faltam. Como diz minha assistant: “it’s a pain in the butt”. Se a louca do nosso navio gêmeo estiver de bom humor, quem sabe as coisas melhorem um pouco.

Que vontade de comprar uma BMW Z3 1996 conversível. Só $7 mil dólares. Gente, com 3 salários dá pra comprar e sobra troco pra gasolina. No Brasil, exatamente a mesma custa R$70 mil (mais de 20 salários). Pra piorar, $7 mil dólares foi o que eu paguei no meu foderoso VW Golf 1997 no Brasil (que aqui custa $1.5 mil). Dói saber que pelo mesmo preço dava pra andar de BMW nos EUA. tsc!

VOCÊS QUEREM METALLLL????
Depois eu conto como foi o cruzeiro heavy metal. ;)

19.12.10

.o c@#$%^* a quatro

Data: 18/12/10
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 09h23
Hora do Brasil: 00h23

Tá, 4 meses que saí de casa. Só faltam mais 2 e meio pra voltar. Parece tão pouco que nem sei se quero.

Primeira vez que escrevo direto do blogger, porque estou sem computador. OHMYGOD, what happened? Então, fica a dica: se beber, não digita. Certo dia, numa certa cabine, numa certa festa, numa certa bebedeira, derrubaram (eu, no caso) um copo cheio de alguma coisa inominável em cima do meu teclado. Tipo, um copo cheio! Na verdade, isso o que me disseram, porque eu não lembro. Pasme! Aquele dia não sei como cheguei em casa, mas o mac tava lá bonitinho e limpinho no lugar que eu sempre deixo. Quando me falaram o que eu diz na noite anterior com ele eu não acreditei, porque ele tava funcionando direitinho. Até que um certo dia, fui reiniciar o bichinho (ele costuma ficar ligado por semanas) e pum! mó-rreu! (sic!). Levei na Apple Store, na mesma que ele nasceu, e mesmo na garantia (que não cobre acidentes) eu teria que pagar $750 pelo conserto. PQP! Metade do preço de um novo. Mas conversa vai, conversa vem, me deram a opção de comprar a garantia extendida por $300 e usar o "one time only" pra reparos por acidente. Ou seja, a garantia já não cobre mais acidentes, mas cobriu meus $750 de despesa. Que ódio mortal pagar uma fortuna por causa de uma estupidez. Sem falar ficar uma semana sem computa. Basicamente não sei o que fazer de noite.

E eu fico de cara com o tamanho desse mundinho. PQP! Lembram a Alyz, amiga da Princess, que encontrei outro dia em Nassau? Pois bem, ela conhece a Camila, brasileira gatagentefina que chegou esses dias. E a Camila conhece a Jéssica, outra cariocagatagentefina que eu conheci no STCW no RJ. E a Camila foi entrevistada POR MIM há 2 anos durante o NoCapricho também no Rio de Janeiro. Como diria Raul: PQP de novo! Camila tem sido minha melhor companheira desde que chegou. Não comentei antes, mas Johnweyne foi embora pro Mariner, só ficou o Pablo. Então que a gangue agora somos eu (buneco!), Pablo (dirruba!) e Camila (guerreira!). Tem a Barbara, francesa gata, que também é parceira. Converso com ela todos os dias via sametime (tipo um messenger interno).

Semana que vem sabem quem vem me visitar? A dançarina loca que eu não posso citar o nome aqui. Aquela mesma, do contrato passado, que zuou minha vida inteira, que me fez feliz e triste por um bom tempo. O mundo dá voltas, realmente.

Não sei se já comentei, mas comecei um side job, como jetski chaser. Tipo assim, sou um perseguidor. É super divertido. Faço pela diversão e nem é pelo dinheiro, que também é bom no fim das contas. Duas vezes por semana, enquanto estamos na nossa ilha CocoCay. Em cada tour tem um guia e um chaser, e mais uns 10 jetskis com guests. Meu trabalho é basicamente manter todo mundo na linha, não deixar ninguém sair da rota, não deixar ninguém ficar muito pra trás e perder a rota e ajudar caso alguém caia do negócio (e isso acontece com frequencia). É uma delícia, porque eu tenho que ser muito rápido, high speed, pra alcançar o começo do tour (sendo que sou sempre o último a sair). E tem horas que dá medo. Adrenalina, uhul! Sem falar que desfrutar das águas bahamenhas com estrelas do mar, arraias, tubarões e, com sorte, golfinhos, não tem preço que pague.

De resto, nada demais. Poucos planos pra natal e ano novo. Nada muito diferente do ano passado. Já sou local, nativo desse navio. Então já tenho histórias dos anos anteriores pra contar. Pasme again! Cheguei nesse navio em 2009 e já estamos virando pra 2011. Isso aqui é o que eu posso chamar de casa. Já tenho despesas de gente normal em Miami, já sou funcionário de uma ilha particular nas Bahamas e conheço tudo nesse naviozinho.

That's it.

bye!

29.10.10

.dois e subindo

Data: 28/10/10
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 03h16
Hora do Brasil: 05h16

Yeh, subiu pra 2 horas a diferença pro Brasil.
Yeh, subiu pra 2 meses de contrato.

E falando de horas adiantadas, falei hoje (ontem!), depois de muito tempo, com a menina que mora no futuro (daí vem o devaneio: “hoje lá já é amanhã”). Não vou dizer o nome, porque da última (e única) vez que eu falei aqui tive problemas, porque o Google Translator traduz do jeito que ele quer as coisas, daí confunde o sentido do negócio. Mas falei com ela, a minha loca predileta, e isso, de certa forma, me fez bem. Claro, foi um papo louco, não se pode esperar nada diferente disso. Mas daí voltam todas aquelas dúvidas e confusões – e loucuras – na cabeça da gente.

Hoje (ontem!) tem festa de independência de St. Vincent (já fui!) no back deck. Festa grande (porque faz tempo que não tem nenhuma) e povo animado. Menos eu. Descobri que não tenho mais amigos. Sinto que muita gente até me odeia. O cast, que eu falei que seriam meus potenciais melhores amigos, se tornaram isso mesmo. Mas, mesmo assim, não é nada profundo do tipo get along gang. Os poucos brasileiros que me sobram (heranças do último contrato) estão indo embora. A Natalie, minha irmã nova-iorquina, ainda está aqui e isso me deixa um pouco mais feliz – tá aprendendo português e me mata de orgulho. Mas, no geral, estou by myself em todos os sentidos. A Kely, minha ‘funcionária’, foi embora faz uma semana. Ainda não chegou ninguém pro lugar dela (com muita sorte chega alguém amanhã) e estou tendo que trabalhar em dobro – faço o meu antigo e o novo trabalho, tudo ao mesmo tempo. Tenho trabalhado demais, o que por um lado é bom – gasta meu tempo! O outro lado bom é que consegui mostrar serviço e minha regalia de chefe, que deveria ter acabado, não vai acabar tão cedo. Não sei até quando vai durar, mas por enquanto eu ainda mando nessa birosca!

O bom de mandar em alguma coisa é se tornar importante e ter ao seu lado outras pessoas importantes. Me dou bem com todos os managers. O Safety Officer (suéco) me deu uma caixa de cerveja (uma caixa mesmo, de 24!) porque eu sempre salvo a vida dele com os safety vídeos. O Environmental Officer (americano) é meu camarada, porque a namorada dele (escocesa) me adora. O Sous Chef (indiano) virou meu brother e me oferece boa comida todo dia, porque eu estou salvando a vida dele com vídeos também. O Chief Electrical Engineer (polonês) foi com a minha cara, porque eu resolvi um problema pra ele em menos tempo do que ele levou pra me explicar qual era o problema (e eu já estou explorando-o pedindo outro favor em troca). O Activities Manager é brasileiro e ex-broadcast, então não precisa nem explicar. O Production Manager (canadense) é uma bixona e me ama sem motivo. O Cruise Director (jamaicano) é meu chefe direto, outra bixona e também me ama (por culpa dele estou aqui de volta, porque ele me requisitou pessoalmente no office). O Dive Manager (sul-africano) me deve todos os tours em CocoCay, porque já salvei a vida dele (e de outros divers de outros navios) várias vezes com os vídeos que eles precisam. O International Ambassador (peruano) virou meu truta depois de jogar bola junto (modéstia à parte, eu joguei móóóito aquele dia e honrei a camisa do Brasil que eu vestia). A Dance Captain (italiana) me ama modestamente – ela depende de mim. O Assistant Hotel Director (filipino) me adora e eu não sei o motivo até hoje. Daí tem a geral: Head Sound & Light (chileno), Adventure Ocean Manager (mexicano), Musicial Director (ucraniano), Sports Supervisor (trinidaense), Photo Manager (indiano), SPA Manager (filipina) – tudo gente que eu me relaciono super bem. Acho que não falta mais ninguém. Gente da mais high-society do navio, de toda parte do mundo, que me gosta e me respeita reciprocamente.

Eu continuo sem motivos pra reclamar. Quando vejo a Broadcast Room funcionando tudo direitinho, tudo arrumadinho do meu jeito, eu quase morro de orgulho. Quando recebo elogios pelos vídeos novos (basicamente todos foram revitalizados!) meu ego quase explode. Quando olho pra fora da janela (tipo agora) e vejo esse marzão imenso, que não tem fim... me faz pensar que tem que ser muito retardado pra levar esse tipo de vida rodeado de água. Essa é uma coisa louca que inventaram pra que um bando de outros loucos pudesse se encontrar. Conviver com gente de 60 países diferentes (só ali em cima citei 15) não é uma coisa normal. Eu gosto disso aqui e tenho tentado curtir, porque sei que não é pra sempre (porque eu não quero que seja pra sempre).

Outro dia teve campeonato de futebol. Nosso time brazuca ficou em segundo, porque os latinos do outro time, sempre que jogam com o Brasil, quebram as pernas da gente. Aquilo passou longe de ser futebol, foi briga feia, vale-tudo. Eu dei bastante porrada também pra descontar, todo mundo deu. Quase saiu briga em todos os minutos de jogo. Mas no fim valeu a pena a brincadeira. Joguei muito, como já disse antes. Fiz gol com todas as pernas que eu tenho, de bico, de peito, de letra, de calcanhar. Só não saiu nenhum de cabeça porque era golzinho. Enfim, valeu a brincadeira, apesar da perna quebrada e doendo pelos 3 dias seguintes.

Hoje (ontem!) visitei o Liberty of the Seas, que seria meu primeiro navio, mas depois mudaram. Coisa linda! Enorme e moderno e assustador e bonito e bacana e talecoisa. Mas pra eu estar onde estou hoje é porque o destino acertou em me jogar aqui nesse navio pequeno e velho e assustador e feio e entediante e talecoisa.

Semana passada algo me fez muito feliz. Conheci 3 brasileiras (mãe e 2 filhas) muito gente finas. A gente se tornou bem amigos, saímos juntos e com certeza nos veremos de novo no Brasil. Isso fez meus 4 dias de cruzeiro bem felizes.

Tem mil coisas pra falar e ao mesmo tempo não tem nada. Tenho falado quase sempre a mesma coisa aqui (apesar de ter ficado quieto um bom tempo). No geral tenho que estar feliz, mas tem aquela coisa que falta. Me falta.

Falta.

Sabe quando você quer comer uma coisa sem saber qual é a coisa?
É essa coisa que eu sinto com essa falta que me sobra.

Tiau.
.

25.8.10

.primeiras segundas impressões

Data: 22/08/10
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 01h52
Hora do Brasil: 02h52

ATO I

Despedir é sempre aquela coisa ruim. Logo quando eu comecei a levar a vida que eu queria, eu tive que partir. Mas foi escolha minha, e fazer minhas escolhas também faz parte da vida que eu quero ter. Durante a semana foi uma sessão de despedidas, todos os dias vendo amigos de perto e de longe; pessoas iam aparecendo do além, pessoas que eu nem imaginava que veria. Isso tudo me pareceu um sinal de que era a última vez que eu estava vendo-os. Talvez eu morra. Talvez eles. Mas pela quantidade de gente, acho mais fácil que seja eu. Mas, bem, sobrevivi aos vôos. E tive meus melhores amigos ao meu lado até a hora da partida. Isso conforta, mas o adeus final dói bastante mesmo assim. Os vôos foram todos sob controle. Dormi 7, das 8 horas de viagem GRU-MIA. Acordei só pra comer, e só porque era de graça. (comecei com o papo de pobre antes de partir pro de rico logo mais). A imigração em Miami é sempre a mesma merda; aquela coisa de ir pra salinha onde todo mundo tem cara de terrorista e esperar horas até te liberarem, depois de algumas perguntas estúpidas.

ATO II

Incrível como já me sinto a vontade em Miami, que pelo tempo de permanência já posso chamar de segunda casa (nunca passei tanto tempo fora de Curitiba). O aeroporto era super familiar. O transporte até o hotel, que sempre é um tormento pra achar, eu resolvi fácil com uma ligação. O hotel era o mesmo. Eu já sabia o caminho, já conhecia a recepcionista e falei que lembrava dela, e pra minha surpresa ela disse “you look familiar”. Fiquei amigo do cara que carrega as malas, porque ele carregou a minha e dei 2 pila de gorjeta (já me sentindo rico) – daí depois eu ganhava carona no carrinho de golf pra sair do hotel. Lá no hotel eu também já sabia tudo o que fazer. E pra minha alegria cheguei de manhã, o que me deu um dia inteiro livre em Miami. Fui pra South Beach, o lado mais xique de Miami Beach (Zona Sul, parcêro!). Agora eu começo com o papo de rico mesmo (apesar de ter ido pra lá de ônibus). Lá a gente se sente rico. Ter um dia de turista em Miami te sobe pra cabeça. Lá só tem gente famosa, gente rica, gente metida, gente exibida. Isso faz você se sentir famoso e rico (metido e exibido eu não sei ser). Gastei como rico. Comprei várias coisas que eu nem precisava (tudo $1,99), entrei na AppleStore só pra passar raiva e, claro, tive que comprar alguma coisa porque a tentação é sempre grande. Fui também na BestBuy (outra tentação absurda), na Ross e várias outras lojas. Andei em South Beach quase de ponta a ponta. Fui até o final da Ocean Drive, que é a beira-mar. Andei na Collins e na Washington, que é a rua das baladas (e acho que vi a balada do seriado “Os Reis de South Beach”). Andei toda a Lincoln, talvez a rua mais famosa, que é tipo um calçadão da XV, mas muito mais xique, com restaurantes e as lojas mais caras do mundo: Victoria Secrets pra cima. Eu queria ter achado a NYFA que fica na Ocean, mas não achei. Tirei muitas fotos, mas duvido que eu vá te mostrar alguma. Ao fim, eu estava exausto. Tive um dia de celebridade em Miami Beach mas, que saber?!, não vale de nada fazer tudo isso sozinho. Já pisei em muito chão desse mundo, mas estar nesses lugares sem seus amigos, sem alguém pra compartilhar, não vale nada. Enquanto eu pensava isso durante a caminhada, eu ouvia Vanessa da Mata (“não me deixe só”), aquela batidona brasileira, aquela saudade de casa (já no dia que eu cheguei), saudade das pessoas que te fazem importante. Estive num dos lugares mais requisitados do mundo, no lugar das celebridades (a Copacabana mundial) e me sentindo celebridade. Uma celebridade solitária.

ATO III

Entrar no navio tem toda aquele burrocracia também. Mas depois de horas, você consegue. É gostoso retornar. É uma sensação deliciosa que dura muito pouco (só no primeiro dia e olhe lá). Só de sentir o cheiro do navio já me deu uma nostalgia enorme, lembrando da primeira vez que pisei num navio. Sim, tem um cheiro diferente, e a gente só percebe a diferença nos primeiros minutos, porque depois acostuma e fica cheirando isso pelos próximos 6 meses. E encontrar as pessoas é delicioso também. Todos vêm te cumprimentar e se mostram contentes por você estar de volta, mas também enche o saco responder 197 vezes “how was the vacation?”. Mas, no fundo, as pessoas ficam felizes de te ver porque sabem que já se passaram 2 meses desde a última vez que te viram, e nem perceberam como o tempo passou rápido e como falta pouco pra ir pra casa. Isso é chato de sentir, porque as pessoas estão animadas de estar partindo, e você só está chegando.
Encontrar os brasileiros antigos foi bom. Encontrar o chefe foi bom. Encontrar os amigos do cast foi ótimo e já sinto uma saudade enorme deles, que vão embora em uma semana. No meio da tarde alguém bate à minha porta. Eu não tive dúvidas de quem seria: “just came to say hi”, com aquela carinha que me fez perder a reação em outros tempos. As coisas que acontecem em navio são engraçadas, e diferente de qualquer coisa da terra firme. Se você não é marinheiro, me desculpe, mas você nunca vai entender. As pessoas já me atualizaram dos babados e barracos das últimas semanas. Nada muito diferente do que eu já sabia. A grande notícia é que, bem provavelmente, eu seja promovido a Head Broadcast quando meu chefe for embora. Não tem ninguém pra vir no lugar dele e, depois dele, eu sou o que mais conhece esse ship, então por isso da promoção. Mas é temporária, só até ele voltar de férias, depois de 2 meses. Mas vai ser bom pra mim, um desafio novo, coisas novas pra fazer nesse navio e não morrer entediado, e vai acariciar meu ego com carinho também. Espero que dê certo. Se não der, é porque eu fui abrir a boca antes da coisa dar certo, mas eu não me agüento. No geral, não mudou muita coisa desde a última vez que pisei aqui.

Agora vou-me, porque tenho o sono atrasado desde o Brasil, e não tenho esperança de colocá-lo em dia esta semana. Primeira semana é foda, tem muito training e meeting e o caralho a 4.

Escrevi demais. Mas problema da parede – ninguém mandou ela ter ouvidos.
.

4.6.10

.meados de junho

Data: 02/06/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 13h49
Hora do Brasil: 04h49

Alguém sabe definir o que são meados? Eu só sei que eu perdi o fio da meada dos acontecimentos. Tanta, mas tanta coisa, que nem dá vontade de contar. Ainda se fossem coisas boas, era legal, mas nem foi. O aniversário foi uma porcaria. A festa do Spectrum é um dia pra esquecer. As pessoas que um dia você ama, no outro você odeia com uma facilidade incrível. Essa vida de navio é um mundo à parte. Na terra firme as coisas não acontecem como acontecem aqui. Meados de junho, meados de 2010, e eu cheguei nesse navio ano passado. Meudeus, parece que foi ontem.

Deixa eu tentar lembrar das coisas boas: tô com video-game na cabine e meu projetor velho de guerra, então que a galera já paga pau pra vir jogar aqui na tela grande. E eu já tô viciado em Guitar Hero e tenho gastado meu tempo livre nele (que agora tem sido mais livre do que nunca), e também assistindo o que me falta de Friends. Assisti a temporada 7 em 4 dias, credo! E pelos meus cálculos, vou terminar de ver tudo antes de ir embora. Isso significa que vou ter visto em 4 meses o que o mundo inteiro levou 10 anos pra assistir. (tá, eu sei que não sou o único no mundo a assistir as temporadas em sequência, mas deixa eu exagerar). E fazendo mais cálculos, quer dizer que eu gastei 104 horas vendo a cara dos Friends, tipo mais de 4 dias da minha existência gastos com isso. Credo! Outra coisa bacana foi ter ido, finalmente, à Cable Beach com o pessoal. Coisa linda! Na verdade, lindo é o Resort que a gente fica, usando ‘de grátis’ tudo que essa gente rica paga fortunas pra desfrutar. Ser marinheiro tem as suas vantagens. A parte ruim foi minha estupidez ao quebrar o nariz no fundo da piscina. Ok, não quebrou, mas ralou bonito e agora eu desfilo com um lindo band-aid na cara. Quando me perguntam o que aconteceu, eu digo que briguei na rua. Pra esse povo sensacionalista, essa é uma ótima estória pra se espalhar por aí. E depois da minha briga com meio mundo na semana passada, é fácil demais desse povo acreditar que minha estória da briga na rua é verdade. Como concluiu o Keu: “agora você é o cara mau do navio”.

Ontem fui almoçar num restaurante Thai com a Natalie (cantora, namorada do Ricardo) e Adam (trumpetista), depois chegaram Andy (cantor) e Maggie (youth staff). Americanos e canadenses, e eu perdido lá no meio. Mas são gente boa demais e me senti super bem na companhia deles. A Natalie é incrivelmente gente fina, pagou meu almoço como presente de aniversário (tá certo que eu paguei o almoço dela no restaurante argentino outro dia, na despedida do Ricardo, sem motivo nenhum, só porque eu também sou incrivelmente gente fina). A Paula me deu uns bottons do Forrest Gump, que eu ia comprar mesmo, mas ela pagou pra mim como presente de aniverário também. E isso foi tudo que eu ganhei por ficar mais velho. Quer dizer, teve coisa melhor e a festa do Spectrum não foi de todo ruim: brigas à parte, era supostamente minha festa de aniversário. Então que muita gente me deu os parabéns, e as 5 meninas mais queridas e lindas do navio me beijaram na boca. Uaaau! Tá, foi só selinho de parabéns como amigo, tipo como as meninas costumam fazer com seus amigos gays. Hahaha mas ok, não sou gay, tá? A Érica (dançarina), Mel (dançarina), Gillian (youth staff), Paula e Thays (brasileiras) sabem BEM disso, e foram elas que fizeram a única coisa boa da noite acontecer comigo, e eu não precisei nem pedir. Se a australiana fosse gente boa igual elas, minha noite teria sido ótima como eu planejava que fosse.

Falando em restaurante, tenho gastado demais com comida. Cada dia a gente come num lugar diferente. É restaurante thai, argentino, brasileiro, chinês, grego, italiano, hard rock, johnny rocket’s... mas a comida é boa, ruim é o preço. Só que também têm sido a única refeição do dia pra mim, porque a comida do navio já não me serve mais. Eu como pão na crew mess, e isso é tudo que eu como aqui.

Não sei o que mais tem pra contar, só sei que muita coisa acontece, mas ao mesmo tempo nada acontece. Complicado? Eu sei. O trabalho está sendo cansativo, mas no sentido de que é sempre igual. Dizer que eu faço de olho fechado não posso, porque eu dependo do olho pra trabalhar, mas se eu falar que faço o trabalho sem as lentes de contato, quase cego, vai ser verdade. As lentes venceram, não funcionam mais. Os óculos estão quebrados. Ninguém me vende novas lentes sem prescrição médica e eu não tô afim de pagar um oftalmo aqui pra me dar a porra de um papel que eu já sei o que vai estar escrito. Então vou esperar chegar no Brasil onde se dá jeitinho pra tudo e comprar lentes novas lá (aí, no caso). E eu ando agoniado, querendo ir embora logo, respirar novos ares (quem sabe Buenos Aires?), ver coisa diferente e pessoas que eu gosto. Quero saber também qual será meu próximo navio, pra poder fazer planos e dormir pensando nos próximos roteiros. Enfim, sei lá. Só 20 dias pra chegar em casa.

Me convidaram pra ser room mate em NY. Quem sabe, né? NYFA me espera.

Time to go.

Ciao!

12.5.10

.have you bingo’d today?

Data: 08/05/10
Hora Local (CocoCay - Bahamas): 23h47
Hora do Brasil: 00h47

Já contei do jet ski em Nassau? Se não, devo dizer também que dias atrás andei de jet ski junto com a Maria. Mas nem foi tão legal assim, o mar tava agitado e não deu pra sentar o cacete na motinha. Fiquei com má impressão, e depois de muito insistir consegui esquema pra mim e pra Johnweyne em CocoCay. Fomos de graça e foi muuuuito bom. Deu pra sentar a mão no acelerador. Era um tour com 7 jets e nós dois ficamos na linha de frente, como 1 e 2, que significa que somos mais rápidos que os outros. A gente nem curtiu, né? Imagina! E o mar tava calmiiiinho, uma água mais azul que da Lagoa Azul (juro!) e várias coisas fodas de se ver, incluindo golfinhos (sem estar em cativeiro acho que eu nunca tinha visto). Foi um dia ótimo. Agora que a gente tá aprendendo a curtir CocoCay com tudo que tem direito.

Em Key West também aproveitamos bastante. Muita, mas muita coisa é de graça pra crewmember. E a gente nem sabia. Mas fomos indo nas coisas e perguntando, e quase nada tinha que pagar, tipo museus, aquarium e blá blá blás. Tiramos muitas fotos boas também.

E o dia que falei que ia pra Cable Beach, nem fui. De última hora me ligaram pra filmar um casamento. Fiquei meio chateado, mas no fim das contas foi divertido, porque chegando lá vi que era um casamento gay. Hahaha e também não posso reclamar muito porque me deram $50 de gorjeta, fora os $200 a mais que vai cair no meu salário por isso. Que delícia, trabalhei 40 minutos pra ganhar $250. Eu faria isso todo dia sem reclamar.

Tem feito muito calor. O verão já chegou de verdade, nervoso. Eu já tô preto, né? Vou chegar em casa, em pleno inverno, preto de sol.

Ai, acho que não quero voltar pra casa. Em casa não tem jet ski; limosine; lancha; ninguém me paga $250 pra trabalhar tão pouco; não tem pôr-do-sol no mar durante a janta, e sequer tem sol, porque dizem que tá chovendo pra kct; não tem Miami pra sair e gastar dinheiro e voltar pra casa triste porque gastou mais do que deveria; não tem Nassau pra sair e voltar pra casa dizendo que não aguenta mais as Bahamas; não tem CocoCay pra usar de graça tudo que os turistas pagam caro pra desfrutar; não tem Key West pra... sei lá, Key West não serve pra nada, mas mesmo assim não tem lá em casa; não tem também gente que você conhece hoje e já considera amigo pra sempre, mesmo sabendo que em poucas semanas você vai perder contato e não fazer mais parte da vida dela (ok, essa é a parte triste, mas mesmo assim não tem lá em casa); não tem os mesmos shows, as mesmas festas, os mesmos eventos pra ver e participar sempre, e reclamar que não aguenta mais, mesmo sabendo que não existe motivo pra reclamar disso. A única coisa que tem em casa e que eu não tenho aqui são as coisas pra vida toda, como família e os melhores amigos. Se desse pra trazer um amigo por semana, ou todos juntos só uma vez em cada contrato, eu morava aqui pra sempre. Juro que tô pensando em extender esse contrato, pra passar mais tempo com as pessoas e coisas daqui, porque já sei que não volto pra esse barco, e sorte de achar outro como este, jamé!

Ainda não fui embora, mas por agora, se eu tiver que definir como foi esse contrato, eu diria que foi perfeito. (seria melhor se mais pessoas legais tivessem tempo livre igual eu, pra sair junto e tals.. mas ok, não reclame!)

Ui, enrolei demais. Eu nem queria falar isso.

Mas já falei que tem muito brasileiro homem nesse barco agora? Antes era só eu e Ricardo, e uma porrada de mulher. Mas agora tem quase nada de mulher e uns 10 piás. Credo! Sem falar que o Ricardo vai embora em 2 dias. Parceiraço, único brasileiro do mesmo departamento que eu, a gente tinha muita coisa em comum nesse barco.

É isso. Falei baboseira demais.

Tiau!

.get along gang

Data: 01/05/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 11h46
Hora do Brasil: 12h46

Acho que é primeira vez que escrevo de manhã. Tudo porque todo domingo tem a porra do Boat Drill e tem que acordar cedo. Cedo pra mim, porque a maioria do barco já tá trabalhando faz horas. Mas me deixem reclamar porque eu não tenho nada melhor pra fazer agora, e já que ninguém lê nada do que eu escrevo mesmo, eu reclamo sozinho.

A semana foi aventurada. Quer dizer, não no sentido da palavra. Mas sem falar dos problemas que me deixaram agoniado e das ironias dessa vida, devo dizer que foi bacana pilotar um jet ski em Nassau, apesar de eu estar esperando mais da coisa. Farei de novo em CocoCay, talvez. No mesmo dia, torrei debaixo do sol com a Mel, dançarina, e compartilhamos nossos super problemas dessa vida difícil que a gente tem.

Outra coisa bacana foi andar de lancha. Na verdade, um speed boat que faz um tour pela casa dos famosos em Miami Beach. Vi a casa do Rick Martin, Will Smith, Frank Sinatra, de uma porrada de outras pessoas, incluindo a casa da Xuxa que, da forma mais metida, comprou da Madonna (só pra dizer que comprou da Madonna, garanto). Também vimos a casa que filmaram Cocoon e Família Adams. E o barquinho vai rápido mesmo, tipo 50 mph. Foi divertido até. Tiramos fotos, claro.

Falando em vida difícil, acabei de receber uma ligação da Débora me convidando pra ir pra Cable Beach. Vamos de limosine. Eu disse: VAMOS DE LIMOSINE. Vou tostar de novo.

Ai que vida chata, não vejo a hora de ir pra casa.

25.4.10

.cocoquemos


Data: 24/04/10
Hora Local (CocoCay - Bahamas): 20h53
Hora do Brasil: 21h53

Essa vida é loca demais. Quando a gente quer fugir de alguma coisa, a coisa fica mais presente do que nunca. O ditado de “quem procura acha” não vale tanto, porque até quem não procura acha alguma coisa, e isso às vezes faz a gente se perder. Já se foram 2 meses de loucuras e inspiração pro meu roteiro; tenho mais 2 meses de vida à bordo da nave. O tempo passa rápido.

Falando em achar, achei 10 dólares ontem no chão. Iupi! (mas bem que podia ser 100, tsc!)

Ontem fizemos uma festa na minha cabine. Só brazucas. A gente realmente precisava fazer isso mais vezes, mas é complicado fazer bater a escala de todo mundo, tá sempre todo mundo cansado, trabalhando demais, tendo outras stuff pra fazer. É complicado. Mas foi ótimo, escutamos muito funk das antigas pra dar risada e relembrar as podreiras do nosso país.

E de sobremesa, nos encontramos todos (sem querer) em CocoCay hoje e deu pra curtir bastante a praia juntos. Pela primeira vez consegui curtir alguma coisa em CocoCay: jogamos vôlei, desci no slide (aquele escorregador de colchão de ar), curtimos um mar quentinho da nossa ilha particular, tiramos muitas fotos e tiramos um racha, eu e Johnweyne de Freitas, nos carrinhos elétricos das crianças. Hiláááááário. Não cabiam minhas pernas dentro deles, mas foi engraçado demais. Perdi os 2 rachas, mas porque peguei um carro que não tinha turbo, o Johnweyne trapaceou. Fizemos vídeo, vou tentar postar. Quis fazer o vídeo principalmente pra deixar meus amigos morrendo de inveja também, porque essa semana eles me deixaram com inveja dizendo que andaram de kart. Mas de carrinho elétrico pra crianças de 3 anos só eu! Há! E isso só foi possível porque nossa queridíssima Débora, brasileira, tava trabalhando lá nos carrinhos e deixou a gente ir. =D


Tem horas que eu não sei mais falar português. Hoje tá crítico. Já errei dezenas de palavras nesse texto, e hoje também eu queria falar de um país que fazia FRONTEIRA com outro e eu falei CONTRASTE. Tipo, comassim? Sem falar naquelas coisas básicas que mesmo falando com brasileiro a gente usa em inglês, como thank you, hi, bye, see you, sorry... ou a mais engraçada de todas: “o que você vai fazer tomorrow?”. Ontem falei pra Paula e Johnweyne: "eu tava looking for vocês". Adoro!

Brasileiro é uma coisa foda. O Brasil é foda. Seu eu não fosse brasileiro eu morreria de inveja de quem fosse.

É isso.

.mas nem tanto

Data: 19/04/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 00h29
Hora do Brasil: 01h29

Hoje eu e Johnewyne de Freitas fomos comer fora e gastamos mais do que a gente ganha por dia só pra comer. Haha Mas a gente vai naquelas de “é isso que faz valer a pena”. E realmente vale. Acho que a gente tá andando muito junto, porque até falando a mesma frase ao mesmo tempo a gente está. A gente comentando sobre “estar puto” com certas coisas, daí passa daqueles negões bahamianos oferecendo marijuana, mas claro que a gente disse que não. Mas daí uns passos à frente, depois de raciocinar as coisas, a gente solta ao mesmo tempo um “tô puto mas nem tanto”. Foi engraçado na hora, mas claro que contando não é engraçado. Enfim...

Terminei a escaleta do roteiro, a espinha-dorsal da coisa. Levei 6 horas pra escrever, sendo que 1 hora foi só pra decidir o nome dos personagens (e olha que são só 2). A coisa já tem uma cara, já tem um pontapé inicial, já tem um rumo a seguir. Agora só falta incluir os diálogos, que estão todos frescos na minha cabeça.

“a saudade tem braços
e são braços fortes”

E o mundo dá voltas.

Tiau.

PS: depois do “tiau” vi um diálogo de duas crianças aqui num filme que merece ser registrado:

- Você gosta de mim, não gosta?
- Sim.
- Você quer que eu seja sua namorada, não quer?
- Sim.
- Olha, eu não vou te beijar até eu tirar meu aparelho... e isso ainda vai levar um tempo.
- Ok.
E saem de mãos dadas.

“O amor é importante, porra!”

6.4.10

.transito entre dois lados

Data: 30/03/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 22h00
Hora do Brasil: 23h00


Hoje completo 4 meses a bordo. Nem sabia que já tava perto dos 4, só lembrei hoje. Faltam só 2 meses e meio pra chegar em casa. Que rápido! Acho que tô assustado que já tá aí (nossa, acho que nunca tinha reparado como era escrever “já tá aí”) e acho que não quero que seja logo. Por mim eu ficava até agosto.

Tá passando agora “Before Sunset” (2004) na TV e tô vendo de novo.

E meus diálogos de ultimamente vão virar filme, já tô começando a anotar tudo e a pensar no roteiro. Mas cada dia acontece uma coisa nova, que se eu for colocar tudo vira um longa-metragem.

Tive dois finais num mesmo dia. Isso é engraçado. Num dia é a caça e no mesmo dia caçador.

Momentos sublimes sempre acontecem. Ver um navio chegar no porto, num fim de tarde, ainda me encanta. Ver o sol beijar o mar numa tarde quente também. Ver a lua refletir no mar, quando você está no meio do mar, também é sublime, porque a luz sempre acaba em você e tu se sente no centro do planeta. E o planeta é mesmo uma coisa pequena. Vidas se cruzam e às vezes a gente nem fica sabendo. Só pra registrar, minha amiga australiana (que tem sido minha melhor e pior companhia das últimas semanas) disse que cruzou várias vezes com o Grand em fevereiro do ano passado, quando eu estava lá. E agora estamos aqui, literamente no mesmo barco. As nossas vidas (ou pelo menos os nossos barcos) se cruzaram um dia e hoje se recruzam (sic). É coisa demais pra pensar, pra ligar uma coisa com a outra. É confusão demais. Essa vida de navio, certamente, é uma vida à parte. Você tem que reaprender tudo e passa por experiências únicas na vida, que os mortais não fazem idéia (até porque a gente não sabe explicar direito pra que eles tenham idéia de alguma coisa). A Luiza disse ontem uma coisa que é verdade, que às vezes parece que “não existe vida lá fora, que o mundo é dentro do barco”, e realmente tem vezes que a gente esquece que precisa voltar pra casa um dia e levar a vidinha normal adiante. Enfim, e só vivendo mesmo nessa Torre de Babel pra saber do que isso se trata.

Acho que o mar deixa a gente louco mesmo, porque ultimamente tenho delirado demais. E agora é minha chance de inventar uma coisa que preste, porque a sanidade da terra não é produtiva pras pessoas de sucesso. Haha (outro delírio, já sei)

Enrolei, enrolei, e não disse ainda o que queria dizer.

Hoje pilotei uma motoca em Nassau. Que delícia! A idéia era pegar jet-ski, mas não tava disponível. Então que eu e Johnweyne alugamos uma moto e saímos por aí curtindo a vida adoidado. Ri muito, porque fizemos muitas cagadas, do tipo entrar na contra-mão, furar sinal, sair da pista, podar todo mundo... tudo isso com uma motoca de 90cc que nem velocímetro tinha, mas acho que pegava 60Km/h pelo menos. Fizemos videos com nossos iPhones novos, então tento colocar aqui qualquer dia (outra coisa interessante é isso, que compramos exatamente o mesmo iPhone no mesmo dia, sem saber que o outro ia comprar. Assim como aconteceu quando comprei exatamente o mesmo Mac que a Luiza, no mesmo dia, sem saber que ela ia comprar). Mas foi muito bom sentir essa coisa de cidade, de trânsito, ver paisagens bonitas (que não se vê quando sai a pé), sentir o vento na cara e as lágrimas caindo (por causa do vento). Coisas que fazem essa vida de navio valer a pena.


Já gastei dinheiro demais esse mês, mais do que eu ganhei. Isso é preocupante. Mas tô me divertindo e feliz por ter dinheiro pra gastar, porque normalmente eu não gasto porque não tenho mesmo, haha. Mas amanhã é payday e tudo se resolve.

PS: falei que comprei lente nova pra Nikon? Acho que não. Mas é uma 50mm com f/1.8. Vou tirar muitas fotos boas nos shows agora, porque com a 18-55mm f/3.5 elas ficavam escuras. Isso que me fez gastar bastante esse mês também.

Eu nem pretendia postar, mas já passei de uma página de texto no Word.

Tiau.

21.3.10

.quando o inverno chegar

Data: 21/03/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 20h39
Hora do Brasil: 21h39

Daqui 3 meses o inverno chega ao sul do mundo pra me recepcionar em casa.
Depois de ter tido um ano inteiro de primavera/verão em 2009, terei um 2010 de outono/inverno. Essa vida de ficar viajando de norte a sul te faz dessas.

Eu queria contar algumas coisas, mas já esqueci o que era. Hoje tivemos um dia de sol em Nassau, finalmente vi calor de verdade. Mas não fui à praia, ainda. Irei nos próximos dias, porque passar 6 meses morando nas mais belas praias do mundo e não desfrutar delas, é coisa de gente burra.

Hoje Senna faria 50 anos. Já faz 16 que ele morreu, nem parece. Me lembro de tudo como se fosse semana passada. “Importante é vencer. Tudo e sempre”. Levo isso em mente pra onde eu vou.

E a vida aqui segue normal. Vivendo bons momentos ao lado de pessoas loucas. Um dia bebendo vodka, outro vinho, ontem foi um luxo bebendo champagne com a Bianca, mas a cerveja no back deck sempre rola, só pra dar aquela rebatida no dia que se acabou. De vez em quando as boas companhias aparecem pra não me deixar dormir cedo (como se eu fizesse questão).

É isso.

Tiau.

.sea sick, blééé

Data: 13/03/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 20h16
Hora do Brasil: 22h16


Já tem 3 dias que acordo com dor de garganta, sintomas de gripe e sem vontade de comer. Aliás, estamos em alerta porque há um vírus no ar e os cuidados de higiene estão redobrados. Deve ser isso, o bichinho do rum-rum me pegou primeiro.

Acabamos de chegar em Nassau pra mais uma overnight, mas acho que não vou pro Bambu, não. Doente, cansado e sem vontade de ver agumas pessoas.

E as coisas continuam mudando rápido por aqui. Hoje tá tudo lindo, amanhã tá tudo feio, no outro dia já tá diferente de novo. São complicadas essas coisas, pior do que novela mexicana.

Chegou uma brasileira nova, mas mais da metade dos brasileiros tá indo embora em menos de 2 meses. E eu tô na metade do caminho. 3 meses e meio a bordo, 3 meses e meio pra ir embora. Agora a contagem é regressiva, pelo menos. Mas não tô importando muito com isso, não tô com tanta pressa de ir embora. Embora algumas coisas me dêem motivo pra querer ir, mas nada tão grave assim pra me fazer pensar no assunto a sério.

Assisti “Before Sunset” (2004) de novo e continuo gostando do filme. E gosto de rever filmes com pessoas que ainda não viram. Gosto de ver a reação das pessoas em determinados momentos. E me orgulho de não ser daqueles que ficam contando o filme ou falando qualquer coisa no meio. Me seguro e fico em silêncio. E nesse filme em questão é essencial isso, porque aqueles 10 segundos de fade out no final dão todo o toque especial. Se eu falar “acabou” com 3 segundos de black não tem a mesma graça de fazer as pessoas se darem conta por elas mesmas de que o filme acabou, só depois de aparecer o nome do diretor depois de um longo vácuo pra refletir. E as reações são sempre ótimas e as mesmas pra esse filme em questão: - “What? He didn’t get her?”. Eu disse o mesmo, em português, claro, quando vi o filme pela primeira vez. A frase final do filme é uma das minhas prediletas:

- Babe, you are gonna miss that plane.
- I know.

Eu tinha um diálogo pra escrever (não de filme), mas esqueci qual era. Mas uma frase da semana que marcou (não muito positivamente) foi essa: - I know. Everybody knows!

Tiau.

22.2.10

.eva

Data: 05/02/10
Hora Local (Freeport – Bahamas): 04h06
Hora do Brasil: 07h06

Não resisti à tentação. Não tive a mesma sorte que a mulher da costela, porque a minha maçã já veio mordida. BTW, tô feliz com a aquisição. Depois que descobri (um dia antes) que existia desconto de 8% pra funcionários da Royal Caribbean na Apple Store, não pensei meia vez pra decidir comprar o quanto antes. Comprei em Miami Beach, porque não basta ser humilde (mentira – era a loja mais perto). Caía o mundo, tempestade forte. São Paulo deve se orgulhar, porque Miami também alaga. Mas não quis nem saber. Era o último Miami antes de ir (vir) pro Dry Dock e eu não conseguiria resistir mais 10 dias até voltar pra lá. E com os 7% a mais de impostos com menos 8% de desconto, o preço ficou basicamente original. No Brasil eu pagaria o dobro do preço, sem qualquer exagero. Bem, tô feliz. Só me falta agora ir atrás de softwares pra deixar o brinquedo novo mais divertido.

Falando em Dry Dock, a coisa aqui tá corrida (e divertida). Tudo de perna pro ar. Hoje tirei fotos, mas filmo todos os dias. Actualmente (sic) estamos fazendo um documentário da coisa, dia-a-dia. Se eu não enjoar, vai ficar bacana.

Semana que vem a Priscila e Manoela, dos tempos da faculdade, vêm fazer cruzeiro aqui. Bacana! Não vejo essas pessoas desde a faculdade (tss, muito tempo atrás – odeio parecer velho) e por ironia do destino vamos nos encontrar a milhares de quilômetros longe de casa, no meio do mar. E só pra abrir um parênteses (eu nem ia abrir parênteses, mas abri só pra não me contradizer), a porcentagem de pessoas da faculdade que vive fora do Brasil é enorme. Difícil é achar alguém que ainda vive em Curitiba. O mais legal de tudo isso é que ninguém imaginava essas coisas pra vida – mi tampoco.

Tiau. Quatro da manhã e eu preciso acordar às oito. Tenho trabalhado mais do que em dias normais (enquanto a maioria trabalha menos da metade que o normal. Mas como diz a Bianca: - “um dia você ia ter que trabalhar”)

18.1.10

.é só um PS

Data: 18/01/10
Hora Local (Nassau - Bahamas): 01h33
Hora do Brasil: 04h33


- tô na parte II d’O Poderoso Chefão, mas 3 horas de filme cansam bastante e eu acabo dormindo.

- cruzeiros de 3 dias cansam mais do que de 4 dias. De 3 dias trabalho pouco, e o tempo livre cansa mais e demora a passar. Os de 4 são bastante ocupados e passam voando.

- tá faltando emoção nesse navio. Nada acontece, ninguém novo pra trazer movimento pra nossa vida. Sinto falta da Helencoptero (era o nome de guerra da Helen no Adventure Ocean, haha). Era a única pessoa que eu tinha intimidade pra ligar no meio da noite pra falar nada, pra perguntar “o que você tá fazendo?” e ela dizer “let’s drink something”. Pros brasileiros dá medo e dó de ligar, porque todo mundo trabalha bagarai e posso acabar acordando alguém. O sono aqui é sagrado (pelo menos deveria) e eu respeito.

- faltam só 5 meses.
.