9.3.11

.6, papudo!

Data: 18/02/11
Hora Local (CocoCay – Bahamas): 00h45
Hora do Brasil: 03h45

E o meu cowntdown foi por água abaixo. Deveria faltar 3 semanas, a partir de agora, pra ir embora. Me faltam 3 meses. Pois é. Dar pra receber. Se eu peço alguma coisa, tenho que ceder também. A novela se complica. Já me deram mil navios diferentes, e os planos mudam toda hora. Mas parece que agora tá tudo resolvido. Eu devo ficar extras 5 semanas no Monarch of the Seas antes de sair de férias. Melhor do que os 7 meses que me dariam depois delas. Pra me livrar disso tive que me submeter a protelar a ida pra casa. Tudo bem. =)

O lado bom e talvez o ruim é que adivinhem quem ta lá? Sim, aquela pessoa louca da minha vida, que eu tenho visto a cada 2 semanas quando nossos navios se cruzam (e tem sido muito bom). E agora nossas vidas se re-cruzam no mesmo barco. A ironia maior do destino é que vamos embora no mesmo dia. E é muito unfair que quando eu cheguei aqui ela ainda estava aqui. Foi embora, saiu de férias, chegou no barco novo e vamos embora no mesmo dia. Muito injusto. Mas enfim, eu tive a minha opção e, mais uma vez, ela fez diferença na minha escolha. Vamos ver que merda vai dar. “The world spins”.

Depois que esse contrato torturante acabar eu devo ir pra um dos maiores navios da companhia, fazendo a rota hispano-italiana, partindo de Málaga/ESP, uma das cidades que eu mais adoro no mundo, e indo em direção à Roma/ITA, uma das cidades que eu mais adoro no mundo. Não posso reclamar. O roteiro não vai me apresentar nada novo, mas rever lugares lindos, respirar ares europeus e navegar por águas do Mediterrâneo me animam bastante. No lugar de um permanent HBT vou virar uma espécie de traveller HBT, que me gusta mucho més (“més” pelo sotaque catalão).

Terei 3 meses de férias e me parece que não vai sobrar outra alternativa senão trabalhar, porque ficar 3 meses sem fazer porra nenhuma vai me deixar muito louco, depois dos quase 9 meses à bordo. Que parto!

Já to muito enjoado desse barco. Se tivesse que ficar até o final aqui acho que eu não aceitaria, mas essa transferenciazinha vai me ajudar a suportar, vou ver coisas novas (por mais que eu odeie o Monarch of the Shits), experiências novas, sentimentos novos... com equipamentos velhos que existem por lá! Argh! Como diz a louca: “Monarch is a shit version of the Majesty”. Pra quem não sabe, os navios são gêmeos, ou twin-ships.

Tenho gastado muito dinheiro na Amazon.com. Só nos últimos 30 dias foram $1000. Porra, não é pouca coisa. Tenho que me segurar. Mas dá raiva e pena de ver coisas super-legaus tão baratas. Eu compro por pena de ver um produto maneiro a preço de banana. Por exemplo, hoje encomendei duas Lomos... eu disse DUAS câmeras lomográficas diferentes por $30 cada uma. Uma octa e uma quadri-cam. Não dá pra resistir.

O momento sad desse post fica por conta de eu me sentir decepcionado com todos meus amigos no Brasil. Nenhum puto me escreve um e-mail pra saber como eu to, nenhum filhodaputa fala comigo decentemente no MSN (tão sempre “na correria” – vãotomarnosseuscus! Venham trabalhar num navio pra ver o que é correria), nenhum paunocu se importa se eu to bem, mal, vivo ou morto. Eu tento, eu bem que tento manter contato... mas as pessoas não têm feito por merecer e eu ando bem desanimado com isso e vou desistir de tentar. Tudo bem que minha ausência já virou rotina na vida de todos. Nos primeiros contratos todo mundo se importava, não via a hora de que eu voltasse. Me mandavam vídeos e fotos das festas que eu perdi e que fiz falta, faziam dedicatórias especiais nos eventos pra mim, compunham músicas, assopravam garrafas pra imitar “a buzina do navio” em minha homenagem e me deixavam morrendo de saudade e remorso por tê-los abandonado. Mas, agora, who cares? Acho que esse é mais um dos motivos que me fizeram querer estender esse contrato por todo esse tempo. Se não faz diferença pra ninguém, pra mim tampouco. É por essas e outras que eu já to achando que vou ficar nessa vida pra sempre.

Resta pouco do Farion nesse Marcos Aguiar que aqui vos fala. =)

Por incrível que pareça, o único que parece se importar comigo é meu irmão Lucas, de 13 anos, aquele que me fez chorar há exatos 2 anos atrás quando eu saí de casa pela primeira vez. É, são exatos 2 anos que me tornei marinheiro. Coisa bagarai!

Adeus.