6.3.10

.ôh, marinheiro, marinheiro

Data: 02/03/10
Hora Local (Miami - USA): 01h07
Hora do Brasil: 03h07



video


Meus amigos são retardados mesmo. E eu não vivo sem eles.
Já passou faz tempo, mas me mandaram um video no Ano Novo e no Carnaval, festando, mas lembrando de mim, cantando a música do marinheiro d’Os Paralamas. Fico feliz com a lembrança sempre, mas já disse que fiquei mal acostumado. Se não chegar nada na Páscoa eu já vou reclamar.

Falando em marinheiro, devo dizer que dia 27 passado completei 1 ano de mar, 1 ano que embarquei pro meu primeiro contrato. E posso dizer que foi o ano mais rápido, mais intenso, mais diferente e, talvez, mais importante da minha vida até agora. Não tô muito afim de fazer um balanço de tudo agora, mas sei que no saldo geral sai positivo. Tudo tem seus prós e contras, e os contras daqui são bastante cruéis, mas a gente sempre tenta pensar nos benefícios pra suportar as dores.

Falando em dores, devo dizer que eu já sabia que os sentimentos no mar são centenas de vezes mais intensos do que na terra. Quem você conheceu hoje pode já ser seu melhor amigo amanhã. Ou também seu melhor amigo pode estar indo embora amanhã e você nunca mais vai vê-lo na vida. Isso eu já sabia, isso eu já tinha sentido. Mas sempre existem sentimentos novos pra conhecer, pra aprender, pra esquecer, pra doer. Sentir saudade de quem ainda não partiu também é uma coisa que dói. Começar um relacionamento de amizade, de amor, profissional, com data marcada pra acabar é algo cruél, mas é assim que acontece aqui, não existe escapatória. Enfim, vou parar de delirar a respeito. Eu só queria dizer que a pessoa que sai daqui é diferente da que entra. Isso acontece com todo mundo, e se você pensa que tu está mudando, tem que pensar que todos à sua volta também estão, todos vivem um transtorno interno e isso te faz pensar mais no próximo também, a tentar entender o outro com todas suas mudanças, por mais que você não aceite. E tentar aceitar o outro com todas suas mudanças, por mais que você não entenda. Ninguém volta pra casa com o mesmo peso na bagagem (porque a gente sempre compra tudo que vê pela frente, haha, mas não é nesse sentido que falo), tudo é aprendizado pra vida, profissional e pra sempre. Mas tudo acontece da forma mais cruél.

Por falar em cruél, a crueldade maior é ficar sem entender por que tudo isso acontece na nossa vida, é ficar sem entender e sem saber como será o amanhã, porque tudo que você passa aqui você nunca espera, cada dia é uma coisa nova, e esse ritmo te faz pensar que amanhã será diferente de novo, mas diferente como? A gente nunca sabe, e isso é cruél. Eu sei que isso é pra qualquer lugar do mundo, mas aqui é mais intenso e imprevisível. Se vai ser bom ou ruim a gente nunca sabe. E mesmo que seja bom, uma hora vai ficar ruim, porque você sabe que vai acabar.

Por falar em nunca saber, eu disse no post passado que queria algo bom acontecendo, alguma surpresa, alguma coisa pra movimentar as coisas por aqui. E isso realmente acontece e me deixa feliz, mas ao tempo tempo deixa triste do ponto da crueldade. É pior do que ter o pirulito roubado, porque aqui a gente já sabe que vai ser roubado uma hora, só resta esperar. O saldo ainda é positivo, porque em algum momento você teve aquilo nas mãos e aproveitou enquanto foi possível, mas antes mesmo de você fazer planos com a coisa você já não mais a tem. Coisas vêm e coisas vão numa velocidade absurda. O ontem aconteceu hoje. O amanhã já está acontecendo. O presente já começa acabando.

Por falar em tempo, é hora de ir, porque eu duvido que você entendeu meia linha do que eu escrevi, até porque nem eu ainda faço idéia do que elas dizem. Mas tudo aqui dói.

Adeus.