17.7.09

Escandinada.

Ante Scriptum: muitas novidades.

Data: 16/07/09
Hora Local (Oslo - Noruega): 16h08
Hora do Brasil: 11h08

Hoje termina nosso tour pela Escandinávia. A primeira coisa a dizer é: QUE TESÃO!
Tipo assim, é tudo diferente. Quer dizer, é normal depois que já passamos pelo resto da Europa, mas é muito diferente do que existe no Brasil. Tudo tem um clima medieval, sabe como? Tudo velho, antigo, gigante, lindo e charmoso.

Eu queria escrever dia a dia, mas passei batido e vou fazer um post só, sobre todos os 4 países novos que conheci.

BÉLGICA: que coisa mais linda! Encantador. Arrisco a dizer que é um dos lugares mais bonitos que conheci na Europa. Paramos na cidade de Zeebrugge, mas peguei um trêm e fui parar em Brugge. Queria ir pra capital Brussels (gente, esses 3 nomes significam “bruxa”, por que será que é assim?), mas era meio longe. Na ida, conheci um casal, que por acaso eram passageiros do navio. Ele americano e ela colombiana. Fomos juntos, fizemos o tour juntos e voltamos juntos. Uns queridos. E sobre Brugge, muito a dizer, mas sem palavras pra dizer. Isso sim é um lugar medieval. Pra onde você olha tem um castelo diferente, uma igreja diferente. Tudo enorme, velho, lindo. Limpo, organizado e rico. Ruelas, vielas, tudo estreitinho e tortuoso. Adoro!

Também adoro essa coisa de ir pra outra cidade. Dá um gostinho de aventura. Pegar trêm, táxi, ônibus... sempre é mais excitante. Nesse caso de Brugge, a gente pegou o último trêm de volta, que chegaria a tempo no navio, às 16h09. Detalhe que entramos no trêm, que sai sempre pontual, às 16h08! ÊêÊê maravilha!

Adorei conversar com passageiros. Adorei ter uma conversa longa em inglês, sem ter que pedir pra ficar repetindo pra eu entender. Acho que eu já to ficando bom nisso.

(pausa pra ir levar o cigarro da Iuliia [Ucrânia] na crew mess)

Meia hora depois, pronto! Essa Iuliia já é outra, não a mesma do post anterior. Depois eu conto.

DINAMARCA: haha eu não lembro. Deixa eu ver fotos pra lembrar. Peraí!

Errrrrrrrrrrrrrrrrrrrr estúpido! Na Dinamarca, em Copenhagen, foi a OVER NIGHT! Uhuuuuuuuuu! Tesão demais! De dia saí pra tirar fotos, conhecer mais ou menos. Mas é uma cidade muito grande. E também com tudo enorme, ruas enormes, construções enormes e antigas e etc. O meio de transporte mais popular é a bicicleta. E primeiro mundo é outra coisa, né? Eles nem prendem as bicicletas na rua. Elas ficam lá, pra qualquer um roubar. O “problema” é que não tem ladrão. Fomos até o parque/circo TIVOLI, que é um dos mais famosos e antigos do mundo (data de 1846) e ainda opera normalmente. Não entramos, porque isso é coisa pra se passar o dia inteiro inside. Mas gostei, bem bonito o lugar e tals.

Daííííí, chegando a noite...

Combinei tudo com todos, e quase fiquei sozinho em plena noite na Dinamarca. Dei o bolo em vários porque decidi sair com a tal da Iuliia, mas ela também fez a cagada de combinar com todo mundo, daí acabou que no meio do caminho encontramos como que uns 20 ucranianos, daí nem cheguei a me agrupar e tals, já deixei ela lá e fui embora. Claro, fiquei puto porque era pra gente sair junto, e talvez fosse nice da minha parte fazer um esforço pra aguentar esses FDP ucranianos (a maioria é), mas sinceramente eu não tava afim de perder a minha única noite num país diferente com eles. Fui voltando pro navio sozinho, pensando em algo pra não estragar a minha noite. Até que encontrei os brazucas Marcus e Maria, que estavam putos comigo porque eu não tava lá no lugar marcado antes. Ahdushausdhua eu inventei uma desculpa e me ajuntei a eles. Fomos pro centro da cidade, de táxi. Coisa chique demais, porque fomos de Mercedes, ok?! Pagamos caro, mas andamos de Mercedes em Copenhagen. Hahahaha Bom, ficamos no meio da cidade, numa praça enorme onde fica o Tivoli, então eu já tava me sentindo o conhecedor do lugar. Compramos cerveja num am/pm e saímos andar. Tudo deserto, calmo. Alguns vagabundos (playoys, na verdade) na rua, mas nada de sentir medo. Alguns lugares completamente escuros e desertos, mas não tinha como sentir medo. Num lugar onde não se prendem as bicicletas, como é que se pode ter medo? Bom, daí que eu guiei o povo pra tentar encontra um lugar com movimento. Eu tinha certeza que teria movimento num lugar que eu fui de dia, e eu tava certo de que sabia o caminho. Sabia nada! Mas mesmo assim fomos indo. E, no fim das contas, meio que por acidente, não é que achamos o tal lugar? Haha só que tava deserto igual. Resultado: voltamos pro navio andando, bem lento, apreciando os lugares e tals. E o caminho de voltar a pé só eu sabia também. Mas nessa hora eu já estava seguro do caminho. Não foi na sorte como antes. Hahaha mas tem mais: eu vi a noite MAIS FODA da minha vida. Tipo, primeiro que anoiteceu às 23h, e pouco antes das 3h, a hora que a gente deveria entrar no navio, o céu ainda tava claro de um lado, parecendo manhã já. ABSURDO! Um lado noite, do outro quase dia. Tirei muitas fotos disso. Claro que vocês nunca vão entender vendo as fotos, mas eu que estive lá vendo ao vivo, é uma coisa inesquecível!!!

Bem, achamos que iríamos encontrar fila pra entrar no navio, com todos voltando em cima da hora pra curtir o pouco tempo fora. Mas que nada! O que encontramos lá foram os outros brasileiros, tudo voltando em cima do laço, igual a gente! Hausdhausdhuas olha que povinho que a gente é, hein? Só a gente, os mais caipiras, voltando faltando minutos pras 3h. Foi engraçado, que até tiramos foto. As meninas já estavam pra lá de Bagdá. Deixei todos lá e tava indo dormir, até que... tcharam! Cruzo com a Iulia no meu corredor. Mas sei lá, eu deveria ficar bicudo como sempre, só que como minha noite foi até bacana (muitíssimo melhor falar português o tempo inteiro do que ouvir ucraniano o tempo todo) eu fui gente boa e nem toquei no assunto sobre ficar bravo com ela. Resultado que a gente ficou conversando por mais 1 hora, cada um contando como foi sua noite do lado de fora e tals. Fui dormir depois das 4h, pra começar a trabalhar às 7h. Bacana, né? Mas quer saber? Foi tudo muito foda. Noite simples, sem grandes acontecimentos. Singela, do jeito que eu gosto. Com amigos, cerveja, noite, praça, caminhada na escuridão, um céu absurdo de bom. Fiquei feliz por ter conseguido NÃO estragar a minha noite (e nem a dela).

Chega de falar desse dia. E chega de escrever, porque preciso trabalhar em 20 min. À noite eu termino o post.

Tiau!


UPDATE

Continuando...

Data: 17/07/09
Hora Local (at sea): 00h08
Hora do Brasil: 19h08


Ainda é mesmo dia no Brasil, mas aqui já passamos da meia-noite. O céu ainda deve estar claro. Tirei foto esses dias, à meia-noite, e ainda havia luz do sol no céu. É mole?

E já estamos no dia de mar e a essa altura devemos estar passando pelo topo da Dinamarca, já tendo saído dos territórios da Noruega.

Let’s go!

SUÉCIA: vi super correndo, porque era tender! Droga! Tive como que 1 hora fora. E devo dizer que a Escandinávia toda se parece. Tenho o mesmo a dizer, que as coisas são grandes, velhas e bonitas. Vi castelos, igrejas e coisas modernas. Não vi nada demais, sabe? Pode ser que seja pelo pouco tempo, mas mesmo assim acredito que a Suécia não seja tão atrativa como os outros lugares da Escandinávia. Mas enfim, tirei belas fotos, vi belas paisagens, pessoas branquelas, polacas, albinas, etc.

NORUEGA: uau, adorei demais! Um lugar para voltar, principalmente no inverno. A cidade em si vai no mesmo bla bla bla, de castelos, coisas grandes, etc. mas eu gostei mais daqui (porque ainda não dormi e parece que foi hoje ainda) do que da Suécia. É que vi muitas residências, e daquelas antigonas que dá vontade de morar, sabe? Gostei bastante. Mas do que mais gostei foi que o porto não é no mar, é num rio. Então quando íamos embora, passamos muito lento nesse rio, calminho, cheio de montanhas à volta, com aquelas casinhas de campo rodeadas por árvores (dessas árvores de frio, sabe?), que deve ficar lindíssimo tudo branco, e aposto que tem urso lá. Coisa de cinema, hein! E por falar nisso, me dá vontade de usar todos os lugares que conheci como locação pra algum filme no futuro. haha


O balanço geral é muito positivo. Gostei muito dos lugares, apesar de ter tido pouquíssimo tempo em todos eles. Só não gostei de tudo aí ser caro, porque eles não usam Euro e tals. Mas gostei das paisagens novas, do meu repertório visual novo, das experiências novas, dos olhares novos e dos desafios novos. Tu sair ‘de casa’ pra explorar um país distante em pouco tempo é coisa para raros, mas a gente sempre consegue. É triste ter essa sensação de shuffle do mundo, mas é a única coisa possível no momento. Eu espero um dia ser rico, como o casal que conheci no trêm pra Brugge, e viajar o mundo inteiro com tempo. (eles pararam de contar depois do país 55)


Agora estamos voltando pra Inglaterra. Mais dois cruzeiros típicos do Mediterrâneo e CASA! Vou tentar curtir bastante meus últimos momentos e minhas últimas paradas nesses países, porque pode ser que seja a última vez da minha vida nesses lugares. Já to em clima de despedida, ainda mais agora que já tenho todos os dados do meu vôo pra casa. SIMMMMMMMM! Ele é meio estúpido, mas eu gostei porque parece coisa de gente importante. Vou de Londres pra Roma (dalicença?) [sic] e de Roma pra São Paulo. Estúpido ir pra mais longe de casa antes de ir pra casa, mas ok! Vou fazer quase 24 horas de vôo, contando com a escala, claro. Mas com a mudança de fuso, vai me ter passado apenas 12 horas de um mesmo dia. FODEU! Vou perder meio dia de vida nisso, e meu dia 15 vai ter 36 horas. Haudshuadu que foda, né? Já to cansado da viagem desde já. Quando chegar no Atlântico, pode saber que vou dormir (porque antes disso, me conheço: vou querer ficar olhando o mapa e pra fora o tempo todo). Chego em Guarulhos às 5 da manhã. ATENÇÃO: Alguém pode, por favor, buscar na net preços de passagens de GRU pra CWB, depois das 5h do dia 16? Pliiiiiissssss! Se acharem alguma promoção, me comprem que depois eu pago. Se acharem por preço normal, me avisem quanto é, porfa! É que depois de pagar 90 pilas pra ir de CWB>GRU de ônibus, qualquer 200 reais é lucro pra fazer o oposto de avião. E não to muito afim de ficar passeando por SP com minha bagagem. Depois de ‘me acostumar’ com o primeiro mundo, fico até com medo de voltar pro Brasil. Hadushduahsuahduadhuhas

Ok, vejam isso pra mim, por favor. Fazer isso daqui, com essa internet, vai me sair caro demais. E se eu realmente voltar de ônibus, só chego em casa dia 16 à noite.


É uma merda mesmo. Sei que vou sentir saudade dessa porra de vida daqui. Não vejo a hora de ir embora, mas aposto que com 3 dias em casa vou estar querendo voltar pra aqui também. Dhaushuashduas é que quando paro pra pensar, penso que isso aqui é loco demais. Essa semana foi louca demais. Dormi na Bélgica e acordei na Dinamarca. Passei a noite na Dinamarca, dormi por 3 horinhas, só que nesse meio tempo já estávamos na Suécia. Dormi na Suécia e acordei na Noruega. Véi, vaisifudê! A gente simplesmente não sente a viagem. É como estar em casa, normal. E cada vez que você sai pela porta você percebe que mora numa rua diferente, com o agravante de os seus vizinhos estarem falando uma língua diferente da sua, e cada dia uma língua diferente. Quando chegamos na Suécia, eu já tava do lado de fora e eu simplesmente não sabia que país a gente estava. Isso acontece. E eu adoro essa história de estar, literalmente, cada dia num país diferente. O que eu odeio é o meu trabalho (seguido pelo salário que me pagam)


E só pra introduzir e finalizar, essa Iuliia é uma nova, que ta trabalhando na crew mess também. Bonitinha, tem me feito companhia nesses dias, mas muito mandona como os outros ucranianos, o que me irrita profundamente. Acabou de chegar e pensa que já pode mandar. Mas num vem não, eu já to cortando as asinhas. Haha dou uns cortes bonitos na coitada. E não só nela. Tenho sido intolerante com todo mundo. Se vejo um filipino ou macedônio FDP fazendo cagada, eu vou lá chamar atenção e dizer pra arrumar/limpar. Eles me odeiam quando faço isso, claro. Mas to pouco me fodendo agora. Haudshudsah mas também tenho sido querido demais da conta com as pessoas mais antigas no barco, tipo “do meu tempo”, sabe?

Enfim, ta explicado. Iuliia é essa menina aí. Eu sou esse menino aqui que briga com todo mundo (“e já estou rindo. Não pensei que conseguiria, não pensei que conseguiria...”). a Bruna não me dá mais moral. Desde que ela me ignorou pra falar com o português, a gente não se fala mais direito. A gente tava grudado, saía toda noite, mas agora mal nos falamos. Minha suposta sorte é que a Iuliia chegou e tem me feito companhia. A gente tem conversado bastante, e acho que ela é minha primeira ‘amiga’ de outro país. Tipo, sem que seja latino, sabe? Os latinos se parecem muito, todos, então não tem graça. Mas ela é européia, com pensamentos completamente diferentes, e tem sido interessante conversar sobre diversas coisas. Só que do jeito que ela ta indo, se folgando demais, acho que já vou cortar o barato também, e ficar sozinho de novo. Os ‘amigos velhos’ não contam mais. Até porque a maioria deles já foi embora. E só pra explicar: claro que eu falo com gente de todos os países, mas não tenho conversas longas, não ouço e nem conto sobre a vida particular e não tenho intimidade nenhuma. É sempre o tradicional “hey, how are you? Did you go ashore? Have you been here before?”, e basta.


Esse post ta maior do que eu queria. Eu já delirei demais. E provavelmente a culpa é minha quando todos se vão.

Quem foi que disse: “Lenine é o único que consegue rimar sofá com so far away”?

Eu gosto dessa frase.

Tiau!
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