2.9.10

.do ya haf to

Data: 30/08/10
Hora Local (Miami – USA): 12h45
Hora do Brasil: 13h45

Falar de despedidas é meio freqüente neste blog. Como dói.

O cast, meus melhores amigos, foram embora, todos de uma vez. Os 14, numa paulada só. Mel, a argentina mais gente fina do planeta (e uma das mais lindas também), e seu namorado Sal, o italiano mais gente fina do planeta. Natalie, a americana mais gente fina do planeta. Não é a toa que a gente se chama de irmão, quer dizer, de irmã. A gente se ama de verdade (mas ela ama mais o Ricardo, seu namorado brasileiro) e um dia seremos room mates em NY – eu vou segurar vela pros 2, claro. Caitlyn, a australiana mais...mais sem noção do planeta. A pessoa que me proporcionou as maiores, melhores e piores sensações da minha vida de marinheiro. A gente se amou, se odiou, fez de conta que don’t care quando no fundo sempre quis. Uma pessoa que é fácil de odiar, porque faz com que poucos conheçam seu lado amável, que eu conheci (e eu dizia pra ela: “se você fosse sempre assim, eu te amaria”). Consegue ser doce e amarga tudo ao mesmo tempo. Me ensinou inglês (indiretamente) com seu accent peculiar. Me deu os melhores diálogos pro meu filme (indiretamente). Me deu simplesmente as maiores emoções que eu poderia sentir nesse navio miserável. Nesses últimos 10 dias, desde a minha volta, a gente mal se falou, mal se viu, nem deu pra conversar como antigamente, como best-friends. Mas mesmo assim deu motivo pra me deixar agoniado por esse tempo. De certo modo, é bom ela ir embora, que assim que consigo viver mais tranqüilo por aqui. Mas eu posso dizer que no balanço geral, de prós e contras (muitos, muitos, muitos contras), foi ela que me deu os maiores motivos de felicidade nesse navio. Que se vá. Que seja feliz. Que cresça (próximo contrato já não será mais underage, então ninguém segura essa guria). Que aprenda. Que Deus te cuide, já que nunca mais vou te ver na minha vida. Eu não queria falar muito dela, mas se ela significou tanto assim, ela merecia render mais no texto. É muito estranho saber que há vida sem essas pessoas aqui (há de haver!). Mas talvez a maior perda (que logo será um ganho), foi o Johnweyne. Junto com Ricardo, é meu melhor amigo a bordo. Há 2 meses atrás eu o deixei aqui. Hoje foi ele que me deixou. Mas ele volta daqui 2 meses e a gente volta a fazer as maiores cagadas nas ilhas bahamenhas, como antigamente. De lucro, só a Paula que chegou hoje, aquela que tinha ido embora junto comigo, aquela que eu fui visitar em Floripa (junto com a Luiza, que também já está aqui a bordo. Olha que estranho isso, de a gente se ver em Floripa 2 meses atrás e agora estamos juntos aqui de novo!). Ela, John e eu formamos o melhor trio desse navio (não queria rimar, mas rimou).

Agora tô eu aqui, curtindo essa deprê pelos amigos perdidos (oh God!, tão difícil aceitar nunca vê-los novamente), ouvindo Linger (a melhor música do planeta), em todas as versões que eu tenho (umas 5), no último volume do meu super sound system da cabine.

Bola pra frente e let’s meet the new cast, meus potenciais melhores amigos pelo resto do contrato.

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